24 de outubro de 2008

Prenúncio do estado mundial

Os estudiosos do verdadeiro desenvolvimento sustentável, vêem com certo otimismo a atual crise econômica mundial. Sabe-se que o maior vilão da deterioração do planeta é o consumo desenfreado, que é justamente o primeiro a ser atingido pela crise mundial. Em relação ao que estamos vivenciando, podemos escolher a expressão "queda no PIB mundial" ou, se preferirmos, "diminuição do consumo de supéfluos". A recessão mundial está criando o clima para grandes reflexões neste sentido. O Instituto Visão Futuro, com o apoio do SESC promove dia 29 de outubro no SESC Pinheiros a I Conferência Nacional sobre FIB (Felicidade Interna Bruta) e conta com personalidades influentes da política e academia nacionais. A variável felicidade tem sido a mais citada para entrar no novo PIB. Este debate sempre esteve presente nos bastidores da academia, agora ganha o palco principal.
O presidente Francês Sarcozy, encomendou aos prémios Nobel da Economia Joseph Stiglitz (2001) e Amartya Sem (1998) o cálculo de uma medida de crescimento económico que “leve em conta a qualidade e não apenas a quantidade”. A questão central do debate é a seguinte: se o desenvolvimento sustentável que todos dizem defender, possui cinco dimensões, por que o PIB avalia somente a dimensão econômica?! Está furado! E agora, com a crise mundial, está provado!! Ouçamos as vozes de alguns "papas" e, por que não dizer, náufragos do neoliberalismo:
Allan Greenspan (23/out/08): "Eu cometi um erro em supor que o interesse das organizações, especialmente dos bancos e de outras empresas, faria com que elas estivessem melhor capacitadas para proteger seus próprios acionistas e suas ações nas empresas (...) aqueles de nós que acreditavam que era do interesse das instituições credoras proteger seus acionistas, incluindo eu, estamos incrédulos, em estado de choque." Greenspan ficou 16 anos à frente do FED e é considerado um dos papas do neoliberalismo.
Dominique Strauss-Kahn (11/out/08): "As intensas preocupações sobre o resgate de algumas dos maiores instituições financeiras dos EUA e da Europa empurraram o sistema financeiro global para perto do derretimento sistêmico." Kahn é diretor gerente do do FMI.
Se pensarmos grande a partir disto, veremos que uma solução é um sistema de regulação mundial, que pense em ações coordenadas para todo o globo e que leve em consideração as dimensões social e ambiental, e não apenas econômica e científico - tecnológica. Como fazer isto? Pode parecer utópico, mas os fatos estão mostrando e, as próprias cabeças geradoras desta crise estão repetindo: é preciso uma ação coordenada globalmente, pensando em todos, não mais em alguns interesses apenas. Isto não seria o prenúncio de um estado mundial?!

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